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Especialistas debatem os desafios das organizações na sociedade digital

“Hoje, o desafio das organizações é promover uma mudança de paradigma. Até 2021, cerca de 40% das 500 maiores empresas do mundo listadas no ranking da Fortune perderão relevância, serão vendidas ou até mesmo desaparecerão”, afirmou Cezar Taurion, CEO da Litteris Consulting, durante o 3° Seminário Big Data Brasil realizado pelo Centro de Referência em Inteligência Empresarial (CRIE), da Coppe/UFRJ, no Rio de janeiro. O evento, realizado dias 12 e 13 de setembro, foi promovido em parceria com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e o Rio ODI Node.

 A afirmação de Taurion baseia-se no estudo realizado em 2011 pelo Babson´s Olin Graduate School of Business. Segundo o CEO, para as empresas conseguirem acompanhar a velocidade das mudanças precisam alterar suas estruturas e processos internos, descentralizando as tomadas de decisão e diminuindo os níveis hierárquicos.

“A velocidade atual das mudanças é muito mais acelerada que a de décadas atrás. A hierarquia demasiada inibe a experimentação e a resposta é muito lenta”, afirmou. Na mesma direção, Carlos Nepomuceno, professor do Crie e consultor em Digital Business Transformation, disse que o novo modelo de administração implica na descentralização do poder.

Segundo Taurion, as empresas que rompem paradigmas, denominadas disruptivas, mudam a dinâmica do mercado quebrando o status quo de instituições que atuam somente em melhorias incrementais de seus produtos, serviços e processos. “Devemos tentar compreender, portanto, o que levaram essas empresas a inovarem, pois somente dessa forma entenderemos os motivos que favoreceram essa mudança e quais as potenciais ameaças que as organizações terão que lidar”, explicou.

O professor Carlos Nepomuceno considera que a dificuldade para a transição de modelos de negócios de empresas tradicionais para inovadoras deve-se ao fato de não estarmos preparados para lidar com a nova complexidade de evoluções, que ocorrem de forma muito rápida.

“As organizações do século XXI perderam o controle do futuro”, afirma Nepomuceno, que usa a Antropologia Cognitiva para analisar as mudanças que vivemos. A atual revolução cognitiva, iniciada a partir da criação da Internet, está permitindo a introdução de uma nova linguagem como, por exemplo, os modelos participativos concebidos pelo Uber e o pelo Waze, que foram absorvidos pela sociedade. “O Uber não é um novo modelo de negócio, mas sim um novo modelo de administração, que chamamos de Controle 3.0. Você mata o antigo gestor que recebia e processava os dados e tomava a decisão” explica Nepomuceno.

 Segundo o professor do Crie, toda vez que há um aumento populacional, cria-se uma nova linguagem, um novo modelo de armazenamento dessa linguagem e em seguida começa o processo de mudança de administração. A atual mudança caminha para o processo de descentralização de poder.

A Internet espelha a dinâmica social

A pesquisadora Luciana Sodré, coordenadora do Rio ODI Node, ressaltou em sua palestra a importância da revolução digital. Segundo Luciana, o uso livre da internet espelha as nossas relações: como nos movimentamos fisicamente, como agimos para conseguir coisas como, por exemplo, buscamos uma informação ou compramos passagens aéreas.

“Manifestamos tudo isso através do uso da internet. E por meio dela deixamos rastros de nossas dificuldades, registros que podem ser identificados para resolver problemas. Isso só acontece porque a internet é livre. Se existisse alguém filtrando o que deve ou não ser feito na internet, desconheceríamos o que não ficou registrado. Como nada é proibido, tudo o que é latente na sociedade, todos os desejos, as necessidades e as intenções são livres, para o bem e para o mal. O fato de a internet ser livre a torna um espelho fidedigno da nossa sociedade”, afirmou a pesquisadora do Crie, que participou da mesa “A Força da Rede”.

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