Confira os destaques do Seminário Big Data Brasil

Nos dias 12 e 13 de setembro, a terceira edição do Seminário Big Data Brasil reuniu no Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro 18 palestrantes, 400 participantes presenciais e dezenas que assistiram online o debate de temas como big data, dados abertos, mobilidade, cidadania, consumo, visualização de dados, transparência, ética, jornalismo de dados, soluções colaborativas, entre outros.

Confira os principais destaques destes dois dias de evento, promovido pelo Crie em parceria com o ODI Rio e com o Ministério Público do Rio de Janeiro.

Dia 12 – Transformações exponenciais, força da rede, gestão de riscos, cidades conectadas, dados abertos

A palestra de Cezar Taurion fez uma análise das transformações exponenciais pelas quais o mundo vem passando e o papel das tecnologias neste contexto de tanta disrupção. “O grande desafio é que as transformações tecnológicas vêm num pacote, acompanhadas das transformações sociais, culturais e econômicas. O mais difícil é descobrir se o que esta acontecendo é exagero, tendência ou tsunami”, disse.

A mesa “A força da rede” foi mediada por Zeca de Mello e contou com palestrantes que falaram sobre dados conectados, Network Science e pensamento exponencial. Luciana Sodré, pesquisadora do CRIE/COPPE/UFRJ e Coordenadora do ODI Rio, falou sobre big data e open data. “Em 1989, é criado por Tim Berners-Lee o HTTP, protocolo que permitiu navegarmos livremente na web e, coincidência ou não, cai o muro de Berlim. É o turning point de muitas certezas que tínhamos; conectar passou a ser muito mais importante”, analisou. Marconi Pereira, pesquisador do CRIE/COPPE/UFRJ, embaixador do TEDx e do capitulo da Singularity University no Rio de Janeiro, trouxe para debate a questão “O futuro depois da curva”, sobre o impacto e tendências das tecnologias. “O crescimento exponencial tem quatro D’s: digitalizar, desmaterializar, desmonetizar e democratizar”, comentou. Encerrando o painel, Márcio Argollo de Menezes, pesquisador em Ciência das Redes da UFF, fez um retrospecto da história das redes complexas, ressaltou a importância da matemática para testar sistemas e explicou os projetos de modelagens computacionais do qual participa.

Na segunda palestra da manhã, o vice-procurador do RJ, Eduardo Gussem, apresentou o MPRJ em Mapas, projeto do Ministério Publico do RJ que contou com o apoio do Crie e do ODI Rio e que integra e disponibiliza dados abertos para melhorar a atuação e dar transparência à instituição e para informar e empoderar os cidadãos. “Existem 150 camadas em diversos eixos temáticos como segurança, saúde, educação, meio ambiente, entre outros, disponíveis para consulta, com informações sociais, institucionais e administrativas relacionadas à atuação do MPRJ”, disse.

O primeiro painel da tarde trouxe três casos práticos. Carolina Abrantes, sócia-fundadora da Bridge Consulting – Inteligência em Tempo Real, apresentou a plataforma Real Time Intelligence e um case do gestão de riscos de uma empresa durante as Olimpíadas, para ajudar na tomada de decisão em tempo real. Nilson Vianna, sócio-fundador da SmartCyber – Inteligência em Fontes Abertas apresentou como funciona a inteligência cibernética em fontes abertas. Fernando Nery, sócio-fundador da Módulo – Integração de Informações, mostrou como dados ajudam na gestão de eventos complexos, como as Olimpíadas ou o dia a dia de uma cidade.

O segundo painel foi mediado por André Bello e debateu os desafios das cidades conectadas. Luciana Nery, gerente de resiliência do Rio, mostrou como dados digitais têm transformado o Rio numa cidade mais resiliente. “O sensor mais perfeito é o cidadão”, contou ela, sobre o monitoramento em tempo real da cidade. Sobre a importância dos dados abertos e parcerias, como a que foi feita com a NASA, ela acrescentou: “Para um dado ser resiliente, ele tem que ser aberto. Dado exposto tem mais perpetuidade”. Thais Lima, gerente de Comunicação do ITDP (Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento) falou sobre como o instituto usa dados para ajudar a desenvolver melhores políticas de mobilidade para uma grande cidade. “Como resolver problemas de mobilidade comuns em regiões metropolitanas no Brasil? Uma das formas é influenciar políticas públicas para conseguir um impacto maior”, contou.

Dia 13 – Visualização de dados, cidadania na era digital, jornalismo de dados, transparência e desenvolvimento sustentável

O segundo dia foi aberto com uma palestra sobre o projeto ObservatoR!o2016, de monitoramento e visualização dos Jogos Olímpicos Rio 2016 a partir de dados de redes sociais. Luiz Velho e Julia Gianella do IMPA apresentaram como foi desenvolvido o projeto no VISGRAF Lab. “Depois dos Jogos, o projeto vai ser uma memória digital do evento”, disse Luiz.

A primeira mesa do dia, mediada por Larriza Thurler, pesquisadora do ODI Rio e doutoranda do IBICT/UFRJ, debateu a cidadania na era digital e como as tecnologias podem ajudar as pessoas a cobrarem por seus direitos como consumidor, eleitor e cidadão. Sergio Sampaio Mardirossian, da Proteste.org, falou como o consumidor pode fazer melhores escolhas baseadas em dados. Nalalia Mazotte, da Escola de Dados, mostrou como os dados abertos enriquecem o jornalismo. “O jornalismo de dados requer que as pessoas aprendam a usar os dados”, disse. Carlos Nepomuceno apresentou a tecnopolítica e a uberização da politica em todas as suas instâncias. Ele afirmou que novas tecnologias implicam em novas linguagem, novos sistemas de armazenamento e novos modelos de gestão.

Na segunda palestra da manhã, Marcos Cavalcanti, coordenador do CRIE, falou sobre o valor dos dados digitais. À tarde, Sergio Besserman (na foto em destaque, com o Marcos Cavalcanti) destacou a importância dos dados para o desenvolvimento sustentável e a ética na tomada de decisão data driven. “Desenvolvimento é libertar o potencial que cada um tem. Não é crescimento a todo o custo. Conhecimento, transparência e ética estão no cerne do desenvolvimento sustentável”, ressaltou.

Na última mesa do dia, mediada por Maurício Nunes Rodrigues, pesquisador do CRIE/COPPE/UFRJ, o Dr. Emerson Garcia, consultor do MPRJ, apresentou a Lei de Acesso à Informação e como o Ministério Publico é um aliado da cultura open data. “Temos livre acesso à internet, mas nenhuma instituição nos ensina o que fazer com os dados. Esse é o próximo passo”, afirmou. Bruna Santos, da OKF Brasil, falou sobre transparências, controle social e engajamento cidadão. “Não basta somente abrir os dados para se ter um governo aberto”, afirmou. Finalizando o evento, Daniel Chada, cientista chefe do Supremo em Números apresentou o projeto da FGV Rio.

Os vídeos do evento serão colocados em breve online. E no ano que vem tem mais! Fique de olho no site para saber sobre os próximos eventos.

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